Uma
melancólica moça suspira
Por
uma joia nova... Ao lado o boia fria
Sofre
pelo seu filhinho doente!
Junta
as duas cenas o destino demente:
Então
a mocinha se aproxima...
“Oh! Linda moça, aqui não entre!”
“Teus sapatos se sujam na favela,
aqui dentro a miséria se desvela
e sinto que tens nojo!”
“Menina, aqui está o lodo
que o rico fomenta...”
“Essa nossa vida é tão nojenta
porque teu pai nos mata por dinheiro!”
“Sinta, delicada moça, esse cheiro
tão diferente do teu perfume...”
“Aqui não tem água, nem luz. No negrume
da noite, enquanto dormes e sonhas
já estamos na rua. Com medonhas
olheiras da noite insone –
trabalha, sofre, se consome
na fábrica do teu pai!”
“Choras? Vai embora, vai
para teu palacete.”
“Que venha a polícia, o cassetete
calará quem assim te insulta!”
“Tu és feliz moça, exulta!”
“Tu sofres com namoros, cabeleireiro...
“Por Deus! Nós não temos nem comida no fogareiro
nem mais vontade de viver!”