sábado, 30 de junho de 2018

Abismo!




Em abismo fundo,

só neste mundo,

tão silente definho!

Deus, Tu tão quietinho,

não vês meu colapso?

Deus, lá do teu espaço,

Tu olhas sem me ver!

No meu dia só anoitecer,

abissal profundidade!

No fundo, sem claridade,

fico a rezar estre escombros...

Dói-me o peso nos ombros

mas estou aqui tão só...

Deserto, suor e pó...

Deus, fonte de tudo, da claridade:

Ouve que está em fatal profundidade!

Eternamente tentar voltar...




Vou eternamente tentar.

Vou violentamente remar

contra a maré que avança.

Deus! Quero ser criança,

voltar no tempo com urgência.

Voltar para a inocência,

retornar ao tempo antigo.

Voltar ao terno abrigo

da casa na árvore feita.

A criança leve se deita

com os olhos no espaço.

Voltar para o abraço

e para o terno carinho

que quando menino

eu tanto recebia!

Voltar! Eu não sabia

que iria um dia chorar.

Eternamente vou tentar,

violentamente vou remar

contra o tempo que avança.

Deus! Quero voltar a ser criança!