sábado, 23 de dezembro de 2017

Golpe! Golpe!






Golpe! Golpe! Gritou o lenhador!

Vai cair ao chão o tronco muito forte!

Golpe! Golpe! Sem nenhuma dor

condenou sem pena a vida à morte!

Golpe! Gritava forte golpeando...

A vida ia cedendo a cada possante corte...

Aos poucos se move, oscilando...

O estrondo ensurdecedor

confirma: que a vida não volte!

Feliz! Feliz o ignorante lenhador...

Ouçam o grito! É golpe! É golpe!

Venci! Venci! Diz bramindo o machado!

No chão caída a esperança da floresta!

Choram as flores deixando tudo orvalhado...

Revolta! Revolta é só que resta...

Não se cala o ignorante lenhador!!!!

Derruba ao chão o tronco tão forte...

Golpe! Golpe! Sem nenhuma dor

condenou sem pena a vida à morte!


Política e bichos...

















A política a grasnar.
Triste turba a cacarejar.

Quadrúpedes de patas duras!
Relincham as cavalgaduras!

Entre outros a bodejar,
perambula o parlamentar.

Récua mui gananciosa,
vara barulhenta de si zelosa...

A política urra.
No mais, zurra.

Bando de incrível astúcia...
No mais, zurra a súcia!


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Chuva poetisa...







A chuva etérea, aquosa e poetisa
escreve seus poemas no para-brisa...
As gotas escrevem suas letras
que escorrem pelas sarjetas...
A chuva escreve aos ventos,
por tudo escreve seus lamentos!
Nos versos escorridos
poema em todos os vidros!
Escreve por onde seu verso deságua...
Por papel o mundo, por tinta a água!
Chuva versejante! Chuva de lamentos!
Loucos versos d'água nas mãos dos ventos!






terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Tu: esquiva!



Tão presente e tão esquiva.
Tão infrequente e tão viva!
Tênue como prece...
Surge... e desaparece...

Esvanece... arredia...
Linda de dia.
Na noite... te sonho.
É pra ti que componho...

Como flor que perfuma..
Como frágil bruma...
Foges... te irisa!
Tênue como brisa!

Tão presente e tão esquiva.
Tênue como prece.
Tão infrequente e tão viva!
Ora surge. Ora desaparece.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Ode a Castro Alves ( Idranreb)

Quem eram? Donde vinham? – pouco importa
Quem fossem da casinha os habitantes.
 – São noivos: – as mulheres murmuravam!
 – E os pássaros diziam: – são amantes!
C. Alves



Eu:
Sonhava tanto aos dezesseis anos
ser Castro Alves: juvenis planos!

Como ele:
Em navios negreiros navegava
e a linda Eugênia Câmara amava...

Como o poeta:

Bebia as negras tintas envenenadas
dos tinteiros das almas penadas!

Como ele:

Escrevia poemas condoreiros
entre senzalas e nevoeiros..

Como o poeta:

Queria morrer a morte cristalina
sonhando Leonídia ou Idalina...

Como ele:

Escrevi muitos versos em chamas
feito de sonhos e de jovens damas...

Mas não sou o poeta:

Hoje dedilhando frios computadores
nem mais sonhos,  nem mais amores..

Não sou ele!

Internet, You tube e celulares
negam minhas dores e pesares...

Não sou o poeta:

O face não é nem antiga tinta e nem velhas penas...
Ah! Tecnologias! A ser eu mesmo tu me condenas!!!!!!!




O louco...

















Tu no louco acreditavas...
O louco que nem fé tinha...
Tu admiravas o louco
Que nada tinha para admirar-se...
Tu amavas o louco
Que nada de amor tinha...
Tu vivias a vida do louco
Que meio morto vivia...
Tu te entregavas ao louco
Que nada tinha para te dar...
Tu rezavas tanto por ele
Que nada de preces tinha...
Tu cuidavas tanto dele
Tão descuidado ele era...
Amavas o louco tão doido
Que nada de amor ele tinha...
Entendo hoje: a louca eras tu!

domingo, 17 de dezembro de 2017

Negro vórtice: tempestade!






Do céu plúmbeos rios...

Infernos sombrios!

Do céu negras águas nos atingem...

Negro vórtice: vertigem!

Dos céus ventos cinzas...

Negror: tu em tudo respingas!

Chove a chuva, a chuva chove...

Negror do céu escorre

de chumbo tudo inundando!

Cérberos entre nuvens vagando:

gritos feitos de trovões!

Do inferno os caldeirões

em nós são despejados!

Por gotas d’água apedrejados

fogem todos da fatal tempestade!

Dos relâmpagos a majestade

rasgam os céus sombrios...

São cascatas, são negros rios!

Do céu negras águas nos atingem...

Negro vórtice: vertigem!








sábado, 16 de dezembro de 2017

A liberdade do cativo...




















O jovem: Quero a liberdade em cem por cento...
Livre, solto, leve, totalmente ao vento!

Diz o sábio muito feio e muito vidente....
Liberdade pura é excludente!!!!
Livre é quem não pode ter amores, sem laços!
Livre é quem não se prende em doces abraços!!!
Livre, mais que livre, livre como o falcão?
Livre, livre, tão livre que morre de solidão!

O jovem: Livre em cem por cento, livre em absoluto...
Faço guerras, faço tudo, pela liberdade luto!

Moço, tão preso moço. Moço tão cativo!
Não queiras o voo, não querias voo tão altivo...
Aos livres totalmente à solidão do calabouço...
Preso serás – insano - ; preso serás doce louco!
Serás tão só quanto serás mais um tolo cativo...
Não queiras o voo, não querias voo tão altivo...


Escola jardim Jardim escola












A escola é como florido jardim...
Flores, amores e crianças sem fim!
A escola é como gentil sementeira...
Cada saber é húmus para a vida inteira!
Aprender é como roda gigante sem fim...
Aprender é como sol em mágico jardim!
Cada criança é flor muito perfumada...
A escola é como sementeira ensolarada!
No jardim-escola crianças florescem o ano inteiro...
Na escola-jardim o livro é o encantado jardineiro!
No jardim - escola todo mundo é herói...
No jardim das crianças errar nunca dói!
Nesse jardim de alunos, não vale a nota...
Nesse jardim tão bonito é a vida que brota!

domingo, 3 de dezembro de 2017

Delicadeza...




Estou delicado demais...

Lágrimas como jamais...

Sensível demais, em demasia

Choro por qualquer fantasia...

Terno, amorável e tenso,

Choro, não aguento!

Como cristal, quase quebro...

Chorar mais não quero!

Delicado de jeito tão profundo...

Sofro por esse triste mundo

Perdido solto, pobre orbe!

Dos sonhos não me acorde,

Sou muito delicado, terno demais...

Deixe-me aqui nas fossas abissais

da minha exacerbada sensibilidade!




sábado, 2 de dezembro de 2017

Noite de Serenata...




NA NOITE,  A SERENATA,

SOB A BELA LUA-PRATA,

ESCOA ENSANDECIDA...

ELA – DE TUDO ESQUECIDA –

SUSPIRAVA TÃO SÓ NA SACADA!

CUMPLICE: A NOITE ENLUARADA!

CENÁRIO: A PAISAGEM BRASILEIRA!

A ESCURIDÃO – NEGRA FEITICIERA –

OS MEIGOS AMANTES ENFEITIÇAVA!

A MÚSICA DELE - QUE A ENCANTAVA –

(DEUS, POR QUE? )  PARA DE REPENTE!

É QUE A PORTA – LENTAMENTE –

ABRE-SE COMO TERNO CONVITE...

E O SERESTEIRO NÃO RESISTE

ELE ENTRA...  APAIXONADO!

NO QUARTO ENLUARADO

O DOCE CASAL SE ABRAÇA!

PERFUME SUTIL TUDO ABARCA

- É PRESENTE DAS MADRUGADAS...

AS DUAS ALMAS – APAIXONADAS –

SE ENTREGAM TOTALMENTE!

O AMANTE DOCE – GENTILMENTE –

ACARICIA DELA OS LONGOS CABELOS,

ENLOUQUECIDO DÁ-SE EM DESVELOS

ATÉ A TRISTE HORA DE IR EMBORA...

SORRI PARA A LINDA AURORA

QUE SURGE BRILHATEMENTE...

ENTÃO ELE – GALANTEMENTE –

CANTA NOVA MELODIA!

É PARA A AMANTE ESGUIA

QUE NAS NOITES O ESPERA!

ELA - NAS NOITES DELE IMPERA...

ELA - NO DIA O FAZ TAMBÉM CANTAR...

DOCE É A ESPERA POR OUTRA NOITE DE LUAR!








Tempo de temer!

Medo, estou a tremer...
É tempo da má sorte temer!

Temer! Temer! Tempestade!
Temer! Temer a maldade!

Judas tenebroso de terno e gravata,
é para temer tua mão fria na chibata!

Sujeira no canto esquerdo e no direito...
Tanto faz, já não importa: é sem direito!

Tempo estranho, de estremecer!
Tempo de dor, de susto, de temer!

Vem o medo, vem assalto e tiro!
Estou a temer a noite, o vampiro!

Medo, estou a tremer...
É tempo da má sorte temer!

Temer! Temer! Tempestade!
Temer! Temer a maldade!