terça-feira, 29 de agosto de 2017

O laço...



Nos lindos cabelos o gracioso laço,
na boca o sorriso que marca o compasso
dos teus velozes pensamentos...
Laço bailarino que baila aos ventos!
Os cabelos levemente atados,
rebeldes, que enlaçados
dão a ti ares das travessas meninas!
Ah! Graciosa que tanto iluminas...
Enfeitiças com teus belos cabelos!
Moça, não me deixa sem teus desvelos!
O leve laço tão colorido
agarrado ao cabelo comprido
parece infantil diadema!
Querida falena
que tanto fascinas
à luz te destinas!
Bela! Por existires a Deus sou grato!
Prisioneiro: é prisão tão doce teu colorido laço!




domingo, 27 de agosto de 2017

Dourada...



E se tu és dourada
E se tu és alada
Eu sou apenas um qualquer...
Sou apenas homem;  és divina mulher!
Se os céus douraram-te
Se os humanos mimaram-te
Só eu sigo
Só eu vivo
Em caminhos cheios de calhaus...
Ai! Como os deuses são maus
Em assim me criar...
Eu sou triste escritor a vagar
Das letras triste e fiel peregrino
E tu?
Tu tens a perfeição como destino

Aquele barulhão!

















Achei que era um bando de passarinhos...
Talvez papagaios recém saídos dos ninhos!
Talvez fosse uma orquestra enlouquecida,
Ou, quem sabe, de futebol uma torcida!
Era ao mesmo tempo grito com espalhafato
Ao mesmo tempo um rir louco de palhaço!
Talvez fosse barulho de ventania
Ou talvez orquestra que enlouquecia!
O barulho era de maluco baterista
Ou de desafinado vocalista!
Era uma corrida só, cada tombão!
Todos malucos naquele barulhão!
Então a sirene toca e a ouve o mundo inteiro!
Entre gritos e correrias, acaba o recreio!


A professora...





A tesoura
da professora
corta tão depressa!
Corta uma boneca
da revista  de moda.
A professora  mimosa
- como anjo de asa branca –
pega a mãozinha da criança
para ela recortar também!
Dá vontade de dizer “Amém”
pois parecem dois anjinhos
a rezarem bem juntinhos!

sábado, 26 de agosto de 2017

A mão de Maria...
























João
Pegou na minha mão!
Não!
Sai daqui!
Ela disse pro guri.
João
Pegou na minha mão!
Não!
Tu gruda como carrapato!
Chato!

João
riu do escorregão
Maria foi ao chão!
Ele na mão não pegou,
Então ela escorregou
e pof no chão!

João
pega na minha mão?
Eu não!
Disse o João!

Maria caiu tombão
porque pegar na mão
não deixou o João!

Maria exibida
caiu na laje encardida!
Tudo porque o João
não pegou a mão
da Maria: que tombão!



A MOÇA DA FESTA...






















NA ELEGANTE MESA
DEBRUÇAVA-SE ELA...
MOÇA INDEFESA,
MAS – AH! – TÃO BELA!

OS OLHOS DELA
TUDO PERCEBEM:
QUE TODOS A VENEREM...
AH! QUE MOÇA BELA!

ENTRA PELA JANELA
A NOITE FRIA:
A MOÇA ESGUIA...
A MOÇA BELA...


É PERFEITA AQUARELA
A NOITE E SUAS CORES...
A MOÇA É TÃO BELA
TEM O JEITO DAS FLORES!

A NOITE DE SONHO
MAIS UMA ESTRELA REVELA:
ESTES VERSOS QUE COMPONHO
É PARA A MOÇA MAIS BELA!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A lindinha



É muito bela estrelinha: a mais colorida!
É anjinha no parquinho: a mais divertida!
É a princesa no conto de fada
ou é rainha na história contada.
No desenho feito na escola,
ou quando vai jogar bola,
é sempre a principal;
a que ganha no final!
É a filha com certeza mais bela,
lindinha filha única:  bela Isabella!
Lindinha, anjinho, uma graça!
É flor, é luz, é borboleta que esvoaça!



sábado, 19 de agosto de 2017

A lutar me condeno...





Lanço frases, palavras com veneno...
A lutar sempre e sempre me condeno
indo à luta bramindo letras fatais...
Morrer ou viver! Desistir? Jamais!
Morrer mil mortes e vidas,
mil idas e mil heroicas vindas
em batalhas verbais terríveis e mortais!
Venenos, verbos melífluos, fatais
lanço aos inimigos acovardados!
Frio mortal: dedos hirtos, enregelados
lutando a batalha contra os maus escritos!
Que venham os escritores, escribas benditos,
heróicos hoplitas com seus escudos verbais!
Morrer ou viver! Desistir? Jamais!


Velocidade



















Novidades e desvarios
na velocidade dos rios
de forte correnteza
Não há tempo e certeza
na velocidade descomunal
onde tudo é normal
porque não há tempo
nem é nunca o momento
para qualquer demora
Passa cem anos em uma hora
Passa várias horas em um segundo
Atravessa-se o oceano e o mundo
no espaço virtual das “nuvens”
Miragens, voragens e vertigens
no ímpeto audaz da velocidade
Nem casa, sequer tenho cidade
Moro onde der, onde o teclado me deixar
Sem estradas pela fibra ótica vou viajar
entre mundos, pessoas e mentes
Velocidade demais entre velozes viventes!


Velório de um vivo!













Sentado a esperar e a esperar...
Quieto a silenciar, a silenciar...
Quem pode a ele dar vida nova?
Vive tendo da vida pobre esmola!
Quieto, olhar de vidro, espelhado.
Quieto. Dedos mudos no teclado...
Espantalho no silente escritório.
Ali é do escritor vivo e triste velório!
Não morreu, vive aos poucos morrendo.
Não é feliz. Nada sente. Não esta vivendo.
Não morreu ainda o poeta falecido.
Ainda vive no silêncio, esquecido!
Entre livros, mofo, penumbra e poema!
Condenado! A desilusão o condena!!!

sábado, 12 de agosto de 2017

O invisível...


Invisível,  como um fantasma,
o tênue escritor ectoplasma
escreve desesperançado...
Invisível, o desgraçado,
cria mais um poema!
Mas a eterna invisibilidade o condena
a estar entre os que não o podem ver...
Assombração! Fica a escrever
no seu canto amaldiçoado!
Ainda está lá, o desgraçado,
no seu indetectável e triste lugar...
Invisível e silente pela vida a vagar!

O anjinho da Isabella


Bom dia! A voz vinha do lado da cortina...
Assustou-se a pequenina menina!

Bom dia! A menina com medo cumprimentou...
Então um anjo no canto rápido voou!

Levou um susto, desses que a pele arrepia!
O anjo disse baixinho: Tenha um bom dia!

Ela deu um pulo com o olho arregalado
Nunca tinha visto um anjo do seu lado!

Lá fora a chuva na vidraça do quarto escorria!
O anjinho abanou já de longe dizendo: Bom dia!


Sobre mim...


  
Não ando na rua. Prefiro mato.
Uso nuvens como sapato.

Não amo uma moça. Amo centenas.
Não escrevo redação. Escrevo poemas.

O que gosto de vestir? A minha pele.
O que me move? É a ventania que me impele.

O que gosto de ouvir? A minha voz.
Companhia? Prefiro a minha e... a sós!

Como perfume uso o vento.
O que me encanta? O meu pensamento.


Sou assim... estranho e pueril.
Um pouco adulto, outro tanto infantil...

O que escrevo? Tudo e em qualquer lugar.
Não sou como lápis, ninguém vai me apagar!


Se a alma de quem me ama é papel, eu sou caneta.
Se a alma de quem me ama é céu... Eu? Sou cometa!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A terrível experiência na floresta



Achei que conhecia aquela floresta. Muitas vezes por ela andei e acreditava conhecê-la. Coisa de gente jovem e inexperiente, confesso. Porém, ficou a lição: nunca subestime os perigos da floresta. Sempre há surpresas e de cada canto algum animal pode saltar e ferir.
Naquela floresta de palavras, as árvores de sílabas eram altas, quase tapavam o sol. Era difícil guiar-se. Então eu me perdi.  Cachoeiras verbais enormes, saciaram minha sede, mas o perigo de cair nelas, ser tragado e morrer sem saber nadar, era enorme.  Resolvi, para sair daquela selva perigosa, seguir as águas do rio. Pareceu-me mais fácil.  Mera ilusão! Concordâncias verbais nadavam perigosamente naquelas águas. Mesmo eu ficando nas margens, elas me olhavam a espera da queda fatal. Era aterrador. Uivos das concordâncias nominais surgiam da selva densa. Fiquei terrificado. Se caísse nas águas sem saber nadar, seria devorado ou afogado. Se optasse por ficar às margens, poderia ser atacado a qualquer segundo, pois não conhecia bem essas concordâncias verbais. Como seriam? Talvez, pelo medo que sentia, fossem criaturas enormes a espera do meu erro. Fatalmente eu iria morrer nos dentes delas.
Já era tarde. Ia anoitecer. Então pensei em fazer uma fogueira para assustar as feras. Percebi que iria ficar a noite na floresta das palavras. Acalmei-me. Respirei fundo. Era só fazer fogo. As feras e insetos fogem do fogo.  Juntei galhos de dicionários já mortos pelo tempo ou derrubados por tempestades gramaticais.  Os ventos sempre derrubam das árvores dicionários, galhos que são úteis aos perdidos. Juntei vários deles e fiz uma estrutura para por fogo.   Após as chamas, fiquei mais aquecido. As trevas da noite estavam rapidamente tomando a floresta.  O medo era terrível. Eu ouvia as acentuações gráficas rastejarem pelo mato. Se fossem venenosos eu estava perdido! Era uma picada só e eu morreria sem ajuda. Tremi ao lembrar-me que nas selvas não existem gramáticos para salvar os incautos perdidos! Era meu fim, com certeza.
Ditongos voavam e picavam minha pele. Os hiatos eram os piores, pois eram maiores. Qual repelente seria forte o suficiente para afastá-los? Nenhum! Minha pele ardia, mas eu era jovem e podia suportar. Ao fundo da paisagem negra da noite, tritongos rugiam. Creio que caçavam à noite, nem sei. Eu sabia que, quando o dia amanhecesse, alguém viria salvar-me! Muitas pessoas sabiam que eu adorava perambular pela selva de palavras. Com certeza eu seria salvo!
O frio era muito intenso.  Ainda bem que eu havia juntado alguns morfemas gostosos, eram frutinhas de aparência horrorosa, mas após agente se acostumar, ficam aceitáveis ao paladar. Não podia negar que os morfemas são úteis nessa floresta terrível! Vejam bem, é bom ter cuidado. As desinências são frutinhas que podem provocar dor de barriga, e como todos sabem, na mata a desidratação pode ser fatal!  É preciso conhecer bem a floresta das palavras para sobreviver. Por isso que a maioria das pessoas não sobrevivem nela.
O sono era tão intenso que amontoei adjetivos para travesseiros. Pedaços de substantivos cobriam-me. Sem fome e um pouco aquecido, iria sobreviver ao medo e aos animais perigosos. Com muita sorte os advérbios fatais e preposições assassinas nem perceberiam que eu estava ali, indefeso. Eu sou um sujeito de sorte, sempre fui. Já tinha sobrevivido muitas vezes naquela floresta complexa e perigosa. Eu era forte, iria ficar vivo e contar para os outros minha experiência!
Acordei ouvindo gritos! Haviam me encontrado! Quanta alegria! Eram corajosos policiais da guarda sintática! Armados com períodos simples, estavam seguros contra os terrores da selva. Finalmente estava feliz. Finalmente sairia bem da minha aventura. Aprendi muito. Quando eu voltar, e sempre voltarei, estarei mais preparado. Nenhum adjunto adnominal ou complemento verbal fará com que eu desista da selva.
Ufa! Estou cansado.  Mas, aguardem-me! Logo terei mais aventuras para contar. 

domingo, 6 de agosto de 2017

Menina maluquinha...



Queria ser adulta. Como catapulta para pular os anos e crescer logo, usava maquiagem. Que viagem! Ser adulta tão rapidamente!
A menina mente que é mais velha. Diz ela: “Tenho nove anos, não oito! ” Mas come biscoito de chocolate escondida! Acreditem, a metida pinta as unhas bem coloridas! Às escondidas, usa os sapatos altos que estão guardados. Usando vestidos bordados, quer ser moça essa semana ainda.
 A menina fica linda usando batom. O tom é bem vermelho. Dança a bonitinha na frente do espelho! Dando passos de bailarina a menina tropeçou. Despencou dos saltos altos e pou! Chorou. A bela Isabela gritou: doeu! Então – por momentos - esqueceu o sonho de rápido crescer. Foi só a mamãe aparecer para o dodói sarar. Mas a bela Isabela parou de sonhar? Claro que não seu bobão!
Noutro dia a maluca achou uma peruca de longos cabelos. Isabela logo achou que ela era linda modelo, alta e muito bela. Novamente queria logo crescer. “Por que o adolescer não vem logo? ” – Pensava ela!
A linda menininha tinha pressa. Mas quando ninguém via tirava meleca do nariz! Criança maluquinha e feliz!
De vestido colorido, com lindo sorriso e bem cheirosa, a linda e mimosa criança hoje esqueceu de querer crescer! Eu a vi correndo quase voando e se jogando na areia da pracinha! A linda menininha esqueceu de ser gente grande, só lembrando de ser criança bela! A maluca Isabela, que põe salto alto e usa peruca, na verdade, tem oito anos de idade!
Lindinha, lindinha! Acredito que ela, a bela Isabela, nesse momento está lá com a mãe dela. Está nesse momento mexendo nos vestidos e sapatos na esperança de ser mocinha. Bela criança, bela Isabela.

sábado, 5 de agosto de 2017

Do alto



Em pé, aberto às alturas
Embaixo do céu de alvuras
Ergue-se altivo contra o vento
Olhando para o alto, sem lamento
Em pé, de peito aberto
Que venha o raio certo
Que venha gelo e neve
Em pé, no alto, de alma leve
O gênio se joga como um ente voador
Morreu sem asas, mas leve como o condor!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Antiguidade...



Desculpem-me. Sou de outrora.
Nasci há cem anos. Em outra hora.
Nesse tempo, moças na praça passeavam...
Faz muito tempo. Poetas soluçavam
por amores impossíveis e belos...
Séculos atrás! Quantos anelos,
quanto sentimento já perdido!
Meu tempo é do tempo antigo...
A meiga mocinha de branco vestido,
eu de terno cinza, gravata apertada...
Ai Deus! A voz trêmula, embargada
por antigos e ingênuos sentimentos...
Nasci antigamente, noutros tempos!
Desculpem-me. Sou de outrora.
Nasci há cem anos. Em outra hora.




Tsunami de oito anos...




Foi rápido, de repente
- como uma enchente –
ela encheu o apartamento......
Como um tsunami violento
ela invadiu todos os espaços
entre risos, gritos e abraços
afogando rapidamente o escritor...
Enchente, onda, invadiu o corredor
quando abriu com suas águas a porta...
Enchente, tsunami, rompeu a comporta
afogando-o com sua voz de oito anos...
Rompeu, desviou os ordeiros planos
do escritor no apartamento tão silente...
ela preencheu tudo como água de enchente!