segunda-feira, 31 de julho de 2017

Entre mim e ti...



Tu lá.
Eu cá.

Agora mais perto:

Tu ali.
Eu aqui.

Mais juntos:

Eu bem mais perto.
Tu bem mais verso.

Juntinhos:

Eu sou sujeito e tu predicado.
Eu sou palavra. Tu: poema rimado.

Grudados:

O nosso carinho a rimar nos condena.
Tão unidos que juntos viramos poema.

Inseparáveis:

Sou o sonho e a fantasia.
Tu és a rima e a poesia!




sábado, 29 de julho de 2017

A moça da praça...

Resultado de imagem para banco da praça

Com curto vestido branco
Junto ao vento que passa...
Sentada sozinha no banco
Sozinha junto às flores da praça...

Sozinha olhava a lua
Perto do floral canteiro...
Na cidade pequena o pipoqueiro
Passa com seu carrinho na rua...

As flores lançam perfumes
Fazem festa os vagalumes...
Entre flores no banco
Suspira a moça de branco...

A nuvem a lua embaça
assombrando a moça da praça...
Uma borboleta noturna voeja
Cantam os sinos da igreja...

O vento o vestido esvoaça
Assusta-se a moça da praça
Sem visível motivo...
Levanta-se a moça de branco vestido!

Canta mais alto o sino da santa igreja
Quando a moça se  vai levando sua beleza!
Cristo então desprega as mãos para rezar
pela moça que vai embora para jamais voltar!


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Brincando de casinhas...



Brincando de casinhas
as duas lindas meninas
ensaiam algumas adultices...
Entre sonhos, risos e peraltices
brincam de não serem mais crianças...
Elas têm pressa, têm esperanças
de logo serem adultas e belas!
Encantado, olho amoroso para elas,
as apressadas e gentis  maluquinhas,
que brincam de não serem mais meninas!
Gostaria de dizer baixinho para elas
ficarem assim, pequenas e belas!
Ah! Bom tempo: ingênuo, puro e tão feliz
quando de adulto eu era apenas aprendiz!
Mocinhas lindas que vejo da minha janela:
Fiquem assim: angelicais, puras e belas!!!!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Alma antiga...




Alma antiga...



Minha alma beira a antiguidade.

Cheira à poesia muito antiga.

É dolorida, é velha , sofre de fadiga...

Tem séculos coma sua espiritual idade!

Minha alma é do tempo do romantismo,

amiga do Castro Alves, o condoreiro...

Antiga, movida à velas e a tinteiro!

Minha alma sofre da tuberculose dos antigos poetas...

Casto Alves: fecha da minha alma as janelas abertas!

A tuberculose dos românticos me atinge em cheio!

Ah! Eu sei, eu sei! Sou antigo demais, eu creio...

Minha alma antiga tem tosses e dores no peito.

Minha alma morre doente, do mesmo fatal jeito

que morriam os jovens poetas em tenra idade!

Ai de mim! Minha alma beira a antiguidade!


O lunar poetinha!




Escrito que cheirava à rosas,
frases sutis, vaporosas:
cristais frágeis e gentis...
Como pássaros e seus ardis,
o poeta entre verbos voejava...
Lunático, lunar, o céu olhava
como se pudesse com verbos voar!
Com suas palavras para ladrilhar
criava seus caminhos alternativos...
Com seus poemas leves e criativos,
com palavras com cheiro de rosas,
o lunático partiu com asas vaporosas
e nunca mais voltou, o frágil poeta!
Partiu quando esqueceram a janela aberta
numa noite linda, fria, de forte luz lunar...
Esqueceram que com verbos ele podia voar!!!









quarta-feira, 26 de julho de 2017

Dentro X fora...

Por fora - sou palor,
Por dentro - só calor
De mil vulcões!
Por fora - apenas brisa
Dentro - fulgurações
Que tudo irisa!
No olho azul a calma,
No coração ígnea chama!
Poesia meu coração derrama,
Magma na alma!
Querubins no olhar,
Infernos no pensar!!!!!
Por fora - santo alado,
Por dentro-  só pecado!!!!!!
Por dentro - poeta aloucado!
Por fora - infeliz amordaçado!

A fortaleza...



De cinza o céu se veste,
um raio nos espaços investe
como se tudo fosse destruir!

O terno ninho do galho vai cair,
a chuva há de tudo alagar!

O mundo treme – vai acabar?
A doce criança tem medo!
A noite cai bem mais cedo:
o dia fugiu assustado!
O vento  - apressado –
passa tudo querendo levar...

O terno ninho do galho vai cair,
a chuva há de tudo alagar!

Então a natureza se esconde
- o temporal não está longe!
A tempestade vai tudo derrubar?

O terno ninho do galho vai cair,
a chuva há de tudo alagar!


Acreditem! Naquela
Casinha tão bela
a tempestade não assusta!
A bela casinha é tão robusta
que fraca fica a tempestade!

Adverte a quente claridade
que vem da crepitante lareira,
que a procela é infantil brincadeira
que a casinha linda não pode assustar!

A casa é ninho que não vai cair,
é montanha que não vai alagar!

Acontece que as tempestades possantes
são apenas doce garoa para os amantes
da tão bela casinha!
O amante diz: “Veja que chuvinha!”

Ela responde: “Vem amor, deixa a tempestade sozinha!”

A moça-rosa




A moça não sabia que era bela.
Não sabia que como ela
só podiam ser as sereias do mar...
Por ciúmes não vinham a ela contar!
A moça nada percebia...
Não, a moça não sabia
dos encantos contidos nela...
Meiga, não sabia que era bela.
Inocente a si mesma não via...
Não, a moça de nada sabia...
Se a vida fosse um vasto jardim colorido
só ela seria rosa por mais que fosse florido!
Ela era a mais colorida, mas não sabia ela!
Do jardim era a única rosa e das flores a mais bela...


On-line!


Ouve minha alma conectando!
Ouve o celular te chamando,
O FACE a tua espera!
Minha alma te venera
Poesias te teclando!
São gigas de caracteres enviando!
Já não nem sei porque
Minha grande tela LCD
Mostra teu olhar ausente!
Estou aqui, o PC não mente!
Te gravo com mil gigas,
Não me mal digas
Se eu de repente partir!
Veja que a conexão pode cair
Sem que eu nada possa fazer!
Grito amores e cansaços!
Tecla para mim teus abraços,
Tuita pra mim teus amores!
Tecla os esplendores
Das paixões virtuais!
Te amo como jamais
Uma moça off-line amei!
Hoje me liguei e em ti pensei
mil mensagem enviando...
Ai, novamente estou teclando
Sem saber se estás plugada!
Ai! Dá uma tuitada
Ou manda emojis pelo celular!
Como é tão triste amar
Quem não está sempre on-line!

terça-feira, 25 de julho de 2017

Tempo, tempo, tempo...

 











Tempo, tempo, tempo: carrossel
de círculos de cavalinhos em tropel...
Um giro, gira mais uma vez...
Igual, igual: estúpida rapidez
que em giros nos leva ao igual.
História giratória sem final:
eis o tempo aí desvelado...
Gira, gira em vórtice espiralado
os ventos dos tempos circulares...
Incontáveis, cíclicos, milenares
os carrosséis do tempo giraram mais uma vez...
Igual, igual, estúpida rapidez!!!!!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Poema egocentrado!

Se eu fosse você
muito me  amaria.
Sem razão ou porque
declarações me faria...

Se eu fosse você
aos gritos me chamaria.
Uma poesia me daria
Sem razão ou sem o porquê.

Se eu fosse você
apenas por um segundo!
Me daria um mundo
de poemas sem porque.

Sem razão, sem o porquê
eu me apaixonaria por mim.
Casaria comigo por fim
Seu fosse você!



Se tu...

Se tu me quisesses
mais eu te quereria...
Em sonho ou em preces
eu te mereceria...
Se minha melancolia
em ti tivesse ninho...
Se teu doce e gentil carinho
tivesse a mira em mim...
Se tu fosses um querubim
e fosse eu teu protegido...
Se eu fosse por ti ungido
ou por ti abençoado...
Se eu fosse por ti agraciado
eu muito agradeceria em preces...
Ah! Se tu moça me quisesses
muito, muito mais eu te quereria!!!!!


A cor Isabela...


 
O mundo é uma aquarela
Onde cada segundo é uma cor...
O destino é o pintor
que pinta da forma mais bela...

Quando o destino distraído fica
erra feio e tudo rabisca!
Então o céu azul fica marrom
e ruim fica o que era bom...

Mas o destino tudo conserta,
troca a cor errada pela certa!
A chuva feia vira arco-íris no céu,
as tintas riem e fazem escarcéu...

O mundo é uma aquarela
e a cor mais legal é a Isabela...
O destino o mundo conserta
ao fazer nascer a criança certa!

A cor mais legal, a cor Isabela,
ficou amiga de todas as cores!
Então do destino a aquarela
ficou cheia de alegria e amores!



Fenômeno natural...


 


Era um fenômeno natural:
na sala de aula eu fazia giro orbital
em torno da magnitude dela...
A moça era estrela e bela;
eu era pequeno asteroide e pó.
Ela fixa: em torno eu girava sem dó!
A professora era força gravitacional e bela...
Eu girava e girava ao comando dela...
Tudo girava de forma elíptica e rotineira.
E lá estava eu: girando como cósmica poeira!
A professora e eu: fenômeno físico e natural:
Eu tinha minha pequenez, e ela? A força gravitacional!


domingo, 23 de julho de 2017

Faxineiro de palavras...



Por tudo jogados sinais e pontuações...
Limpei da estante os travessões:
o pó do desuso se lhes impunha...
No escritório muito se rascunha
escritos sucessivos e de letras lotados!
Vários panos bem molhados
para limpar as palavras mal colocadas
nas frases recém-nascidas e já erradas!
Frases aligeiradas e muito avoadas
ficavam caídas como fica o pó!
Trágicos enganos: que dó!
Palavra mal escrita por mau escritor
fica sem jeito à espera da sua limpeza!
Nesse escritório tudo é uma beleza!
Eu limpo, eu cuido das letras mau nascidas.
Coitadinhas, nem estão bem crescidas
e são limpas rapidamente sem hesitações!
Ainda bem que acredito em reencarnações...
Lá vem o escritor fazer suas estripulias verbais!
Sorrio: tudo vai renascer! Letras não morrem, jamais!

Eterno guri!





















                                                                   Não consigo silenciar
o guri que vive em mim!
Juventude sem fim
que não consigo calar!

É como mágico jardim,
com luzes e flores,
com bichos e odores!
Deus! Mágica sem fim!

É juventude
eternal!
Colossal
beatitude!

Não posso matar
o guri feliz em mim!
O jovem sem fim
não dá para silenciar!

Alma delinquente
- feliz adolescente –
Sempre a delirar
num obsceno sonhar!

Impossível adultecer,
improvável envelhecer!
O fogo é muito luzente;
sou muito adolescente!

Juventude inconveniente
que não me deixa envelhecer!
Olho azul de amanhecer...
Sonhos doces de adolescente!

Pecado pedagógico...



Eu feliz versos compunha
Em sala silente, quieta...
Mas vi aquela bela aluna
E senti-me, então, poeta...

A sala em que fazia poema,
Aquela em que versos compunha...
Ah! Tornou-se muito pequena
Depois que vi tal aluna...

Talvez não fosse a sala
Que era pequena...
A aluna de pele clara
Fez crescer demais o poema!

Preparar aulas era tarefa que me impunha...
Mas como me envolver com livros,
Como remexer arquivos
Se pensava em minha aluna?

O destino tinha outro plano,
Contra mim seu gládio empunha!
Nunca mais ela foi minha doce aluna...
Inteligente e estudiosa passou de ano!

Am

Obra de arte



Esculpido em nós.
Tatuagem na epiderme da alma.
Somos obra de arte do ontem.
O passado esculpe.
O passado tatua.
O passado é escritor.
O ontem escreveu poemas em nós.
Somos poesia hoje
porque fomos escritos ontem.
Somos obras de arte
das pessoas que nos esculpiram.
As pessoas nos tatuaram.
As pessoas nos burilaram.
As pessoas são artistas.
E nós?
Somos a obra de arte.


Armário de palavras



No meu armário de palavras guardadas,
Há muitas palavras atulhadas.
Cato palavras em todo o lugar.
Fico com meus olhos a regar
plantações de dicionários.
Canteiros são meus armários
Onde os livros são plantados
E por poemas orvalhados!
Chove livros na estante de metal,
Então a prateleira é meu quintal!
As rimas são dóceis borboletas

Voando sobre páginas e letras!

Mentiras...


No escritório tinha uma estante.
Juro que lá eu vi um elefante.
Disseram que eu menti.
Pior quando eu vi um Jabuti
Cantando no meu chuveiro.
Eu vi um guerreiro estrangeiro
Falando do jeito que eu entendia!
Disseram: tu mentes todo o dia!
Uma vez eu voei num grande jato!
Saltei de pára-quedas com espalhafato!
Disseram novamente: Não deves mentir!
Achei graça! Nossa! Dava até para rir!
Um dia desci do meu disco voador
E resolvi escrever tudo: hoje sou escritor!
Então pude inventar sem problemas!
Invento aos montes em belos poemas!
Poeta inventa belezas e esperanças!
Então não diga que mentem as crianças!

Loucura escolar!


 
Loucura: contrataram um diretor poeta!
Agora aula só com a porta bem aberta!
O professor austero de Geografia?
Agora tem que ter aulas de caligrafia.
Na aula de matemática, não pode mais esquemas!
Agora a professora para ensinar: só com poemas...
E a Filosofia? Mandou acabar com a lógica sem fim!
Mandou dar aulas de moral e ética lá no jardim!
Agora para dar aulas, só autorizada pelo diretor.
Ele é exigente! Agora todo o profe é um escritor!
Aula de História? Agora tem que ser rimada.
Aula de ciências? Só se a profe estiver apaixonada!
Português, Inglês e Espanhol? Só se for poetando!
O Diretor sempre pelo pátio lentamente andando
Cuidava cada sala de aula pela janela aberta!
Que loucura contrataram um diretor poeta!
Nas paredes do Colégio muitas poesias nos murais,
Era Drummond, Cecília Meireles e Vinícius de Morais!
O colégio ficou cada vez mais amalucado!
Também pudera, contrataram um diretor apaixonado!

Limitação!


Sou tão bom quanto posso ser;
Sou tão rico quanto posso ter!
Ensino o que posso ensinar,
Só falo o que posso falar!
Limitado ao que posso ser,
Limitado ao que posso viver!
Limitado! Eis minha maldição!
Nunca criador! Simples criação!
Demasiado humano!
Demasiado profano
Para querer ascender!

Ouve-se a divina voz:

Terráqueo celeste,
Teu corpo veste
Uma alma infinita!
Vá! Crê! Acredita!
Seja o que podes ser,
Viva o que podes viver!
És rico e pobre,
tua limitação encobre
da tua alma a  infinitude,
a eternal e linda  juventude
que só os raros podem ter!


Interior...

 Você guarda no embornal do seu peito
um doce, um jeito,
um aroma floral...

Na alma tem um jardim
com flores perfumosas...
Vem de lá suas palavras mimosas
que queria que fossem para mim!

Seu corpo a alma encobre
deixando no olhar aberta a janela...
Então o curioso atento à moça bela
espia para ver o que descobre...

Vê dentro luz forte que crepita
Iluminando sutil poema...
Então ele a poetar se condena
vitimado por moça tão bonita!


Cornucópia


E se não te vejo?
A luz não tem lampejo,
As flores cores não têm,
Sozinho não sou ninguém!

E se tu não me amas?
Sou fogo sem chamas,

Sou céu sem luz,
Sou poesia que não compus!

E se não me desejas?
Podres as cerejas,
Os mares sem vagas,
As vidas amargas...

E se não me dás teu corpo?
Sou navio sem porto,
Sou guri perdido,
Sou doente sofrido...

Guriazinha linda
De beleza que não finda!
Dá-me de beber,
Dá-me de viver!

Cornucópia de vida e luz
Minha alma por ti se conduz!
Deixa de ti eu beber,
Deixa o poeta em mim viver!



Caminhos de pedras verbais...


Tantas pedras verbais não há quem junte.
Sobre elas sou leve e rápido transeunte!
Sou descuidado e pobre andarilho,
sou dos poemas e versos pródigo filho
que o caminho de casa já não sabe achar!
Nos caminhos das rimas, andarilho a vagar!
Só resta-me os paralelepípedos verbais
que  sustentam em pé o triste caminhante...
Caminho, poeto e escrevo! Sempre avante
nos caminhos semânticos entre sentidos abissais!
Pergunta-me a inspiração: “Poeta louco, para onde vais?”
“Inspiração, qualquer lugar é bom para o pródigo filho
que entre tantos poemas e rimas tornou-se andarilho”!

Barco vital...


Entre vagas vitais,
Entre sonhos siderais
O tênue barco vaga...
A onda clara o afaga,
O vento mole o conduz...

E ri rindo a forte luz
Do sol sempre a frente...
O barco frágil na água luzente
Sem medo singra o oceano,
Sem porto, sem leme, sem plano
Está a deriva, sem norte...
Ágil, branco; pequeno porte
O incrível frágil barco ligeiro!
Por Deus! Trema passageiro,
Leve brisa o pode destruir.
Trema! Leve onda o fará sucumbir!
Somos todos frágeis marinheiros,
Intrépidos e valorosos estrangeiros
Nesse estranho mar: a vida!!!

Andarilho e caça!


No mundo das letras sou andarilho...
Sou de verbos e reticências terno filho...
Entre parágrafos e saliências verbais
Na língua portuguesa - entre erros fatais –

Conjugo aventuras nas verbais concordâncias!
No canteiro de dicionários, flores verbais e verbais fragrâncias
Fazem-me plantar ideias, poemas e esquisitices escritas!
Coleciono versos como cadáveres em esquecidas criptas...
Andarilho das letras, não posso nada guardar no alforje!
Caço rimas, caço poemas e se a caça ligeira de mim foge,

Não tendo versos para comer, morro de tristeza e fome!

Almas de bronze X Almas de ouro


Almas de bronze
tão longe
da luz estão...
Almas sem razão
vivem sem luz...
A matéria as conduz!
A alma de bronze
tão longe
da verdade!
Não é vaidade
ser alma dourada!
Alma orvalhada
por pingos de luz...
Bronze e pus
na alma impura...
Ouro sem usura
em almas belas...
São elas
que veem,
que percebem
o sumo bem!
Elas vão além,
acima do bronze!
Vão muito longe,
onde seu ouro reluz!
Dourada e mágica luz
do mundo perfeito!!!
Espírito eleito,
de ouro serás!
Lampejarás
faíscas douradas!
Almas apavoradas
- bronze -não acreditarão!
Não, não aceitarão
a luz que cega!
Alma de bronze nega
o que está tão longe...
Almas de bronze
tão longe
da luz estão...
Almas sem razão
Vivem sem luz...



A CARTA FILOSOFAL

SEM NADA PRA FAZER,
FIQUEI A ESCREVER.
PRA ALMA DEI COMANDO:

AO MENOS UMA VEZ,
DE POESIA FARTA,
PRODUZA SIMPLES CARTA!

A BRANCURA VIOLENTANDO
NA FOLHA PURA E VIRGINAL
DE BRANCA PALIDEZ:

UMA CARTA FILOSOFAL
NASCEU DE SUSTO E PARTO!
E MAIS UMA VEZ

NO SOMBRIO QUARTO
UMA FOLHA VIRGEM ENGRAVIDOU!
DEUS! GRÁVIDA FICOU,

GRÁVIDA DE MIM!
UM FILHO-POEMA NASCEU!
QUE LOUCURA ME DEU?

NEGUEI ATÉ O FIM:

O FILHO NÃO É MEU!

NEGUEI POIS SOU MATREIRO...

DISSE: SEU DELEGADO, A FOLHA ME TRAIU!
ASSIM QUE A INFELIZ PODE,
A INFIEL PARTIU

COM O CARTEIRO!