domingo, 1 de outubro de 2017

Apelo a eles...









Uma melancólica moça suspira

Por uma joia nova... Ao lado o boia fria

Sofre pelo seu filhinho doente!

Junta as duas cenas o destino demente:

Então a mocinha se aproxima...

Oh! Linda moça, aqui não entre!”

“Teus sapatos se sujam na favela,

aqui dentro a miséria se desvela

e sinto que tens nojo!”

“Menina, aqui está o lodo

que o rico fomenta...”

“Essa nossa vida é tão nojenta

porque teu pai nos mata por dinheiro!”

“Sinta, delicada moça, esse cheiro

tão diferente do teu perfume...”

Aqui não tem água, nem luz. No negrume

da noite, enquanto dormes e sonhas

já estamos na rua. Com medonhas

olheiras da noite insone –

trabalha, sofre, se consome

na fábrica do teu pai!”

“Choras? Vai embora, vai

para teu palacete.”

Que venha a polícia, o cassetete

calará quem assim te insulta!”

“Tu és feliz moça, exulta!”

“Tu sofres com namoros, cabeleireiro...

“Por Deus! Nós não temos nem comida no fogareiro

nem mais vontade de viver!”



 

Um comentário:

  1. Quadro que o neoliberalismo pinta em cores de lágrimas suor e sangue, mas tão belo de expressões que um anjo no céu recolheu.

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