O passado deixou a porta aberta.
Sem avisar, sem nenhum alerta,
pela fresta passaste e te vi.
O tempo é como uma vidraça.
É como uma janela que embaça
a visão de quem olha para trás...
Não fechei bem a porta do passado.
O tempo risonho e muito assanhado
te fez passar pela porta entreaberta...
O passado é como fina réstia de tênue luz
que no quarto escuro a claridade conduz.
Do escuro do tempo surgiste...
O tempo de tudo lembra, nada esquece.
É uma brasa que vira fogo e nos aquece.
E tu estavas ali e tudo aqueceu.
O tempo é lento, mas não para nem morre.
Ele é como suave água que lenta escorre...
As águas do tempo te trouxeram para hoje.
Ao te ver assim tão jovem e tão bela
fechei do tempo a porta e a janela.
Para não te ver me fechei todo.
De nada adiantou...
O passado é como fina réstia de tênue luz
Que no quarto escuro a claridade conduz.
Do escuro surgiste para não mais ir embora.

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