Deuses: eu ofendo a vós!
Ingratos! Não ouvem a voz
Do valente e audaz bardo!
Frente a vós não me acovardo!
Ofendo-vos com o dedo em riste!
Quero a eternidade e não meu fim triste!
Eternidades pede o vulcão do meu peito!
Para sempre! Não morrer é meu pleito!
Ofendo quem não me quer para sempre!
Deuses: quero ser eternamente vivente!
Meu grito é vulcânico!
Meu ofender é titânico!
Bardo para sempre! Eterna voz!
Deuses: Eu ofendo a vós!
Vossas raivas: Que me importa?
Quero-me vivo, minha palavra nunca morta!
Não sou para dias... sou para gerações!
Não sou para ventania... sou para furacões!
Deuses sei que me mandam o tempo,
Sei que a velhice vem no suave vento...
Sim eu sei que morro querendo viver!
Deuses! Tenho muita vida para uma vida só!
Deuses! Fizeram-me luz, porque me querem pó?
Deuses! Criaram-me cheio de infinitudes,
Criaram-me todo cheio de luz e virtudes...
Porque ceifar quem foi feito para futuros?
Porque matar quem vive em versos puros?
Deuses que me criaram: vós viveis para criar!
Porque ó deuses, esmeram-se em me matar?
Morro, mas que não calem minha ardente voz!
Morro, mas morro aos gritos ofendendo a vós!

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