Desculpem-me. Sou de outrora.
Nasci há cem anos. Em outra hora.
Nesse tempo, moças na praça passeavam...
Faz muito tempo. Poetas soluçavam
por amores impossíveis e belos...
Séculos atrás! Quantos anelos,
quanto sentimento já perdido!
Meu tempo é do tempo antigo...
A meiga mocinha de branco vestido,
eu de terno cinza, gravata apertada...
Ai Deus! A voz trêmula, embargada
por antigos e ingênuos sentimentos...
Nasci antigamente, noutros tempos!
Desculpem-me. Sou de outrora.
Nasci há cem anos. Em outra hora.

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